Biblioteca Nacional Anexo 

Arquitetura Bruno Oliveira

Local Rio de Janeiro - RJ

Área 37.500 m²

Projeto 2014

A poética

Entender a intervenção no edifício anexo da Biblioteca Nacional do Ria de Janeiro é compreender todo o processo de evolução e reabilitação que vem tomando conta de toda a cidade, sua paisagem e principalmente no cais do porto onde se encontra o edifício anexo.

A Bahia de Guanabara, imponente e vistosa, sinuosa e sensual, tornou-se o plano de fundo e inspiração para esse novo cenário, entre o espaço público e o espaço privado.

Optou-se por trazer o espaço público para dentro do edifício, integrando áreas de exposição internas e externas, espaços de gastronomia e leitura.

 

A Concepção

O bloco existente previsto para armazenar o acervo de referência da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, foi entendido como bloco cofre. Este deveria assumir um caráter mais imersivo e seguro, protegendo o acervo de referência. Paralelamente, surgiram três novas projeções, leves e translúcidas. Por sua vez, a projeção ao Leste, se caracteriza como espaço público, com áreas de acervo público, consultas e leitura. A projeção Oeste caracteriza-se como espaço privado, com áreas de apoio e escritórios. A projeção Norte serve ao conjunto como plataforma de conexão, transição e estar. Este por sua vez possui a vista privilegiada para a Bahia de Guanabara.

 

O conceito - A Grande massa deformada

O objetivo era tornar o conjunto pesado e edificado em uma massa única, uniforme e leve. Optou-se por uma sucessão de lajes com movimentos distintos ao logo de cada nível que marcasse bem as deformações na fachada. Por sua vez buscou-se a unidade do conjunto por meio de uma membrana que recobre o edifício como uma pele translucida leve e pura. Todos os acessos foram bem marcados pelas deformações. O piso térreo externo do edifício hora se confunde com o piso térreo do espaço público, tonando-se convidativo e curioso ao olhar de quem o observa.

 

Intervenção e estratégia de ocupação

Optou-se por manter apenas o bloco central, por sua estrutura bem consolidada capaz de comportar todo o acervo de referência. Foi proposta a demolição dos blocos laterais e do bloco frontal. Percebeu-se a fragilidade das edificações e foi possível gerar maior potencial construtivo e melhores possibilidades de intervenção.

Nas projeções Leste e Oeste foram criados dois subdolos. Estes atendem as demandas de garagem, áreas técnicas, áreas de apoio e reservatório. Acima do embasamento, foi proposta a criação de duas torres, uma na projeção Leste, com o uso mais voltado ao acervo público, e outra na projeção Oeste, mais voltado para a parte de escritórios e diretorias. Ainda foi proposta uma projeção ao Norte, na antiga fachada frontal do bloco central. Esta tem o objetivo de conectar as duas extremidades, Leste e Oeste gerando uma plataforma de transição entre os blocos, proporcionando a criação de espaços generosos de estar com vista para a Bahia de Guanabara. Por sua vez funciona também como barreira de proteção contra a incidência solar no bloco central, onde se encontra o acervo de referência.

Em todas as projeção foi mantido o mesmo número de pavimentos e nível das lajes do bloco Central.